domingo, 28 de junho de 2009

A heterogeneidade étnica e social dos capoeiras

No período compreendido entre as primeiras décadas e metade do século XIX, a capoeira parece configurar-se como atividade eminentemente escrava. Observemos a existência de decretos que puniam os capoeiras, entre os anos de 1821e 1834, o encarceramento, cujo motivo fosse a prática da capoeira não era feita numa prisão exclusiva para escravos. Sendo que “capoeiras”, era a designação dada aos negros que “viviam no mato e assaltavam passageiros”.
O “embranquecimento“ da capoeira é dado a partir de 1880 (BRETAS, 1991: p. 242), quando é verificada além da inserção de indivíduos livres e libertos, a forte presença de capoeiras brancos, dentre os quais muitos europeus. Sendo assim a capoeira deixava de ser restrita aos negros e pobres e estendia-se aos brancos e àqueles que pertenciam a classes mais abastadas. O caso mais ilustre dessa ligação entre a capoeira e a elite da época é o de José Elísio dos Reis, conhecido como Juca Reis, filho do conde de Matosinhos – figura notória da colônia portuguesa de então - cuja prisão constituiu um dos episódios mais famosos de repressão à capoeiragem, pois quase gerou uma crise ministerial na recém-proclamada República. Passou a existir uma contradição diante da criminalização da capoeira e do significativo número de pessoas livres e brancas envolvidas com esta prática. A figura do negro deixava de ser um “problema social” e transformava-se em um “problema nacional” enquanto a capoeira que vivia um “embranquecimento” simbólico passava por uma inversão de valores.
A crescente adesão de brancos à capoeira ocorreu no interior de um processo que oscilava entre a repressão, enquanto um instrumento de luta e resistência negro numa sociedade escravista e a apropriação de seu uso como “esporte” e “expressão do nacional”. Logo evidenciamos a heterogeneidade étnica e social acerca dos capoeiras cariocas do século XIX.

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