domingo, 28 de junho de 2009

As maltas

Os capoeiras organizavam-se em grupos, vulgarmente conhecidos como maltas. As maltas espalhavam-se pelo espaço urbano do Rio de Janeiro, apropriando-se simbolicamente do mesmo e impondo-lhe uma outra lógica de ocupação, o que conferia aos capoeiras um poder e uma autonomia que iam contra os pressupostos básicos da hierarquia escravista. Segundo o cronista francês Emille Allain, que visitou o Rio de Janeiro em 1886, que acusou os capoeiras de serem “uma mancha na civilização da grande cidade”, quase todas as pessoas de cor estavam organizadas em maltas, e divididos em dois ou mais grupos rivais.
Mello Morais Filho, em seu artigo “Capoeiragem e capoeiras celebres”, escrito no final do século passado nos forneceu dados um pouco mais precisos, afirmando que as maltas eram compostas de “ africanos, que tinham como distintivos as cores e o modo de botar a carapuça, ou de mestiços (alfaiates e charuteiros), que se davam a conhecer entre si pelos chapéus de palha ou de feltro, cujas abas, reviravam segundo convenção” (MORAIS FILHO, s/d; 1979: p. 258). Entretanto, além dos africanos, as maltas contavam também com a participação de pessoas brancas (inclusive alguns de origem européia).

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