domingo, 28 de junho de 2009

As transformações que abragem o Negro e Capoeira

A existência da capoeira parece remontar aos quilombos brasileiros da época colonial, quando os escravos fugitivos, para se defender, faziam do próprio corpo uma arma. Embora sempre perseguida ao longo de todo período imperial, foi apenas em 1890 que a prática da capoeira se constituiu como crime, permanecendo como tal até a década de 1930, quando teve sua prática liberada pelo Estado Novo.
O significado social dessa pratica cultural de raízes negras se modifica, conforme se operam mudanças no lugar social do negro no interior da sociedade brasileira. Original mente considerado como principal entrave ao “progresso nacional”, em virtude de sua “inferioridade atávica” o negro começará, pouco a pouco, a ser enaltecido como fator de originalidade nacional.
Em 1878 a policia do Rio de Janeiro, imbuída de pressupostos evolucionistas de sua época, considerava a capoeira como uma “doença moral que proliferava em nossas civilizadas cidades”. Porém, algum tempo depois, por do inicio do séc. XX, alguns intelectuais, preocupados com a própria viabilidade da nação brasileira e informados pelos princípios da medicina higienista lançavam a ginástica como meio profilático “ para a regeneração” da raça (fiéis, portanto aos mesmos paradigmas científicos que a policia acima citada), viam na capoeira uma “luta nacional” e uma “excelente ginástica”, cujo ensino deveria ser ministrado “nos colégios, quartéis e navios” de todo país.

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